segunda-feira, 30 de junho de 2008

Bolsa de Lisboa tem o pior semestre de sempre

Termina hoje aquele que é o pior semestre de sempre para a maioria dos índices de referência das bolsas mundiais, incluindo a portuguesa.
A um dia do fecho do semestre, que muito pouco pode fazer face às elevadas perdas acumuladas, cinco índices Europeus registam quedas históricas: Lisboa, Madrid, Paris, Frankfurt e Milão.Um dos principais índices norte-americanos, o Dow Jones Industrial, também regista a pior "performance" de sempre, enquanto para o Nasdaq é o segundo pior.
Os dois principais índices asiáticos - o Nikkei e o Hang Seng - também registaram, respectivamente, o quarto e o segundo pior primeiro semestre de sempre. Dos "benchmar-kets" analisados, apenas Rússia e Brasil conseguem contrariar a desvalorização da maioria dos mercados e apresentam ganhos muito modestos, respectivamente de 1,23 por cento e 0,8 por cento.As quedas acumuladas desde Janeiro impressionam pela dimensão na maioria dos casos, mas atingem uma expressão mais dramática na bolsa de Lisboa, que lidera destacadamente as quedas, ao deslizar 30,84 por cento.
Após cinco anos de subidas consecutivas, a maioria das bolsas mundiais iniciou uma correcção violenta, não sendo previsível quando se verificará o momento de viragem. Há investidores a sair em massa dos mercados e há os que aproveitam a fase de queda para fazer short selling, que consiste em vender acções a descoberto ou que ainda não têm, e comprá-las de seguida a um preço mais baixo. "Os mercados estão 'viciados' em cair e, portanto, foi isso que passaram a fazer, nas últimas semanas, de uma forma quase diária, fazendo correcções de dois e três por cento sem qualquer facto novo realmente determinante" diz o responsável pelo departamento de research do Millennium Investimento, António Seladas.
Um outro analista, que pediu para não ser identificado, destaca que como em todos os outros momentos de queda violenta, as bolsas estão a corrigir de um qualquer exagero, neste caso não alimentado directamente por elas, mas sim pelo sistema financeiro, que, perante taxas de juro muito baixas, aceitou níveis de alavancagem exagerados. Juros e inflação marcamA subida dos juros e da inflação, com a consequente desvalorização do imobiliário, revelaram os exageros cometidos na concessão de crédito.
Os buracos financeiros provocados em grandes grupos financeiros europeus e norte-americanos não param de aumentar, colocando várias instituições à beira da falência e a obrigar a intervenções de entidades governamentais e bancos centrais, como os casos do americano Bear Stearns e do inglês Northernrock. A crise gerada pelo subprime teve um impacto violento no primeiro trimestre, a que se juntaram outros factores de crise.António Seladas considera que neste momento se verifica "uma confluência de factores negativos que acabam por determinar uma tendência que por sua vez se auto-alimenta e que tem como risco maior originar um abrandamento significativo na economia mundial".
Esses factores são a desalavancagem financeira, que está a contribuir para abrandamento do ritmo de crescimento das economias; a correcções em baixa do crescimento dos resultados das empresas e a ameaça de estagflação devido à subida das commodities que se traduziu nos últimos dois meses em subidas das taxas de juro a que os Estados se financiam.

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